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Matheus Magossi Ruiz
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O libertador de 22 anos de cárcere
Gazeta Esportiva

João Roberto Basílio, o Pé de Anjo, completa hoje 72 anos de vida. Seu apelido e toda a idolatria que permeia o ex-jogador e técnico alvinegro vem de um gol: o feito na final do Paulistão de 1977. Essa taça quebrara um jejum de 22 anos no qual o Corinthians estava. Segundo Basílio, ele se sentiu um escolhido por Deus para marcar aquele gol tão aliviante, com isso entende-se melhor seu apelido.

Vindo da Portuguesa, com 26 anos, Basílio tinha a difícil tarefa de suprir a falta do ídolo Rivellino, que tinha ido para o Fluminense. Na questão técnica não existe comparação com Rivellino, mas ao chegar no Timão em 1975, Basílio já sabia do objetivo coletivo maior daquela equipe que era quebrar o jejum.

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Na sua passagem pelo Corinthians, além do histórico título de 1977, o Pé de Anjo também conquistou o título paulista de 1979. Junto a isso, acumulou 253 jogos e 29 gols como jogador pelo Corinthians. Digo ‘como jogador’ pois, após o fim de sua carreira dentro das 4 linhas, Basílio se tornou técnico e teve algumas passagens pelo Timão. Treinou o time como interino em 1985 e 1987, efetivo entre 1989 e 1990 e fez sua última temporada em 1992. Em suas passagens à beira do gramado acumulou 116 jogos, 52 vitórias, 42 empates, 22 derrotas, 141 gols marcados e 87 sofridos.

Revelando-se, ainda, um grande ser-humano, o ídolo alvinegro no ano passado, em meio a pandemia, realizou um projeto na cidade de São Paulo para oferecer planos de saúde para ex-jogadores que estavam desamparados. Com ajuda da filha, Basílio ajudou dezenas de ex-jogadores localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O povo só tem gratidão pela história que Basílio construiu no time. Foram 22 anos com o sentimento de vitória preso, sem um grito de campeão, sem levantar uma taça. 22 anos de cárcere quebrados por um Pé de Anjo.